O padre Cícero Leite da Cruz denunciou – na manhã de hoje, em entrevista ao Alagoas 24 Horas – a forma como os parentes e amigos de presos vêem sendo tratados para terem acesso à casa Casa de Detenção de Maceió, o Cadeião. Eles são submetidos a uma revista íntima minuciosa, onde todos são obrigados a tirar a roupa.
De acordo com o padre, ele mesmo foi exposto à revista íntima. Como se não bastasse o constrangimento de ter ficado seminu na frente dos agentes penitenciários, ainda foi tratado com “arrogância e empáfia”. O padre se dirigiu ao Cadeião para visitar um ex-paroquiano que se encontra preso.
“É um absurdo. Uma humilhação a forma como nos tratam. Fizeram isto comigo que sou um padre e um senhor de mais de 60 anos, imagine com os mais pobres que vão ver os parentes. Não se pode tratar o ser humano desta forma”, destacou o padre Cícero Leite.
O padre conta que acabou de celebrar uma missa na igreja da Pitanguinha e em seguida – ainda com uma roupa que o identificava como padre – se dirigiu ao Cadeião. “Quando cheguei lá, eles me pediram para entrar em uma fila. Até aí tudo bem, pois não quero privilégio. Em seguida, me mandaram para uma sala”, diz o padre.
Cícero Leite diz que achava que seria o parlatório, onde conversaria com o ex-paroquiano, mas se surpreendeu com a chegada de dois agentes penitenciários que já foram ordenando: “O senhor tire a roupa”. “Ele já foi impondo, com uma arrogância e sem respeito algum pelo ser humano. Uma forma grosseira e mal-educada. Depois disso liguei para um amigo coronel, que acionou outros amigos e recebi um telefonema com pedido de desculpas”, salientou.
Porém, apesar das desculpas recebidas, o padre disse que “não aceita de forma alguma a maneira debochada como foi tratado”. “O Estado existe para proteger e não para humilhar o cidadão, obrigando as pessoas a ficarem nuas. O Estado que invista em mecanismos de segurança que não submetam as pessoas a este tipo de situação ridícula. O Estado não pode me expor ao ridículo”, disse ainda o padre.
“Eu me assustei com a situação. Cheguei a baixar as calças e fui tomado por um sentimento muito forte de revolta e indignação”, comentou o padre.
O gerente-geral da Casa de Custódia, capitão Roberto Goulart, nega a humilhação acusada pelo padre, uma vez que os agentes adotam os padrões nacionais de revista em áreas de segurança.
"O padre foi submetido a revista como qualquer pessoa que venha a visitar um reeducando. Ele foi encaminhado para a sala masculina para fazer a revista e teve que ficar de roupa íntima, pois faz parte da norma da casa. Não houve violação dos direitos humanos uma vez que não há, durante as revistas, nenhum tipo de toque ao revistado. O procedimento é feito com todas as pessoas que terão acesso aos módulos doestabelecimento prisional e segue os parâmetros nacionais de revista", explicou Goulart.
fonte: Alagoas 24 horas
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